Caros leitores e leitoras do Jornal Acontece,
Bem-vindos ao primeiro artigo de 2026 na coluna “Entre o Jaleco e a Toga: Diálogos da Saúde“ Começar um novo ciclo é, invariavelmente, um convite à reflexão e à renovação de propósitos. E se há um propósito que se eleva em importância neste início de ano, é o do cuidado com a nossa saúde mental.
Não é de hoje que percebemos uma crescente na conscientização sobre a fragilidade e a resiliência da mente humana. O ritmo acelerado da vida moderna, as pressões cotidianas e os desafios imprevisíveis têm evidenciado o quanto é crucial dedicarmos atenção à nossa saúde emocional e psicológica. Nesse contexto, o mês de janeiro se veste de branco, trazendo consigo uma campanha que abraçamos com força: o Janeiro Branco.
O Janeiro Branco é um movimento que nos convida a pensar sobre o sentido da vida, a qualidade dos nossos relacionamentos e o grau de conhecimento que temos sobre nós mesmos. Ele nos lembra que, assim como cuidamos do corpo e da saúde física, a mente também precisa de atenção, prevenção e, quando necessário, de tratamento. É um convite à pausa, à introspecção e ao diálogo franco sobre emoções, sentimentos e pensamentos que, muitas vezes, guardamos em silêncio.
A relevância desse debate transcende o âmbito pessoal e alcança, com urgência, o universo corporativo. A saúde mental dos trabalhadores tem sido pauta de discussões importantes, culminando em avanços significativos, como a recente NR-1, que passa a vigorar a partir de maio de 2026 e hoje é a principal diretriz brasileira de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), estabelecendo obrigações gerais para empresas sobre gestão de riscos, responsabilidades de empregadores e empregados, e introduzindo o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para riscos físicos, químicos, biológicos e, agora psicossociais (saúde mental), promovendo um ambiente laboral seguro e saudável
Esta regulamentação, veio reforçar essa pauta, determinando que todas as empresas devem, obrigatoriamente, ter um olhar atento e proativo para a saúde mental de seus funcionários. Esta é uma vitória não apenas para a legislação, mas para a humanização do ambiente de trabalho, reconhecendo que a produtividade e o bem-estar caminham de mãos dadas.
É um marco que reflete a compreensão de que um ambiente de trabalho saudável vai muito além da segurança física, englobando também a segurança psicológica.
No entanto, por mais importante que seja o Janeiro Branco e por mais salutares que sejam as novas resoluções, o cuidado com a nossa saúde mental não pode ser uma pauta sazonal ou imposta apenas por normas. Ele precisa ser uma prática diária, contínua e consciente.
Cuidar da saúde mental todos os dias significa:
Que este Janeiro seja o ponto de partida para um ano inteiro de autocuidado e de conversas abertas sobre saúde mental. Que a toga da justiça e o jaleco da saúde se unam para garantir que todos tenhamos o direito e as condições para uma mente sã, um corpo em equilíbrio e uma vida plena.
E para 2026 vai o meu desejo de um ano de mais saúde, justiça, inclusão e humanidade. Que continuemos a dialogar, a refletir e a construir um futuro mais digno para todos.
Flavia Mello Tapajóz de Oliveira
OAB/RJ 142.017


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