{"id":255,"date":"2024-03-27T14:48:23","date_gmt":"2024-03-27T17:48:23","guid":{"rendered":"https:\/\/draflaviatapajoz.com.br\/?p=255"},"modified":"2024-03-27T15:57:58","modified_gmt":"2024-03-27T18:57:58","slug":"medicina-direito-e-o-prontuario-medico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/draflaviatapajoz.com.br\/medicina-direito-e-o-prontuario-medico\/","title":{"rendered":"Medicina, Direito e o Prontu\u00e1rio M\u00e9dico"},"content":{"rendered":"<p>Na pr\u00e1tica da medicina e no Direito m\u00e9dico nos deparamos com a exist\u00eancia de v\u00e1rios tipos de documentos m\u00e9dicos importantes, cada um servindo a um prop\u00f3sito espec\u00edfico e com relev\u00e2ncia legal na pr\u00e1tica m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O PRONTUARIO M\u00c9DICO \u00e9 um desses documentos, sendo talvez o mais importante, pois \u00e9 um registro detalhado das informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade de um paciente e ferramenta essencial para a continuidade e qualidade do cuidado e tratamento, com enorme relev\u00e2ncia no \u00e2mbito legal.<\/p>\n<p>Esse documento fundamental na \u00e1rea da sa\u00fade, registra de forma detalhada o hist\u00f3rico cl\u00ednico de um paciente, incluindo informa\u00e7\u00f5es sobre diagn\u00f3sticos, tratamentos, medicamentos prescritos, resultados de exames, cirurgias, alergias, entre outros aspectos relevantes para a sa\u00fade do indiv\u00edduo, servindo tanto para pacientes quanto para m\u00e9dicos e tamb\u00e9m para que a pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica possa em \u00e2mbito de pesquisa formular pol\u00edticas p\u00fablicas, al\u00e9m de serem utilizados por advogados em processos judiciais e administrativos.<br \/>\nComo advogado, \u00e9 crucial entendermos as diretrizes e regulamentos relacionados ao prontu\u00e1rio m\u00e9dico no Brasil, considerando n\u00e3o apenas as orienta\u00e7\u00f5es do Conselho Federal de Medicina (CFM) e a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, mas tamb\u00e9m as implica\u00e7\u00f5es da Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 privacidade e prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais.<br \/>\nDiretrizes do CFM e Legisla\u00e7\u00e3o Brasileira:<\/p>\n<p>O CFM estabeleceu importantes resolu\u00e7\u00f5es relacionadas ao prontu\u00e1rio m\u00e9dico para garantir a qualidade dos cuidados de sa\u00fade e a prote\u00e7\u00e3o dos pacientes. Devido \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o dos prontu\u00e1rios digitais, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM 1.821\/07, que prev\u00ea a elimina\u00e7\u00e3o de documentos em papel, define os crit\u00e9rios t\u00e9cnicos para sua utiliza\u00e7\u00e3o, incluindo informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias como identifica\u00e7\u00e3o do paciente, anamnese, diagn\u00f3sticos, tratamentos, prescri\u00e7\u00f5es e consentimento informado e por isso est\u00e1 entre as legisla\u00e7\u00f5es mais importantes nesse campo.<\/p>\n<p>Ela aborda as normas t\u00e9cnicas relacionadas \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o e uso dos sistemas informatizados para a guarda e manuseio dos documentos dos prontu\u00e1rios dos pacientes.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Resolu\u00e7\u00e3o CFM 1638\/2002 mostra os itens obrigat\u00f3rios para qualquer tipo de prontu\u00e1rio m\u00e9dico e antes dela, o artigo 10 da Lei 8.069\/90 (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente) j\u00e1 especificava que os estabelecimentos de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade de gestantes devem manter prontu\u00e1rios individuais para a m\u00e3e, al\u00e9m da impress\u00e3o plantar e digital de rec\u00e9m-nascidos para identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 2.168\/2017 aborda a guarda, o manuseio e a conserva\u00e7\u00e3o desses documentos, destacando a import\u00e2ncia da seguran\u00e7a e da privacidade das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira, como o C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica (Lei n\u00ba 13.959\/2019) e o C\u00f3digo Civil Brasileiro (Lei n\u00ba 10.406\/2002), tamb\u00e9m possui disposi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas relacionadas ao prontu\u00e1rio m\u00e9dico e veda aos m\u00e9dicos deixar de elaborar o prontu\u00e1rio de cada paciente. Essas normas enfatizam a necessidade de sigilo, confidencialidade, registro adequado das informa\u00e7\u00f5es, manuten\u00e7\u00e3o organizada e o respeito \u00e0 autonomia do paciente, e tamb\u00e9m disp\u00f5em sobre a negativa ao paciente de ter acesso a seu prontu\u00e1rio, ou n\u00e3o dar as explica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias a respeito de sua sa\u00fade &#8211; salvo quando gerar riscos para o paciente ou para terceiros.<\/p>\n<p>Implica\u00e7\u00f5es da LGPD:<\/p>\n<p>A LGPD, Lei n\u00ba 13.709\/2018, trouxe uma perspectiva adicional ao tratamento de dados pessoais, incluindo informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade contidas nos prontu\u00e1rios m\u00e9dicos. A lei estabelece diretrizes espec\u00edficas relacionadas \u00e0 privacidade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais, considerando essas informa\u00e7\u00f5es como dados pessoais sens\u00edveis.<br \/>\nA LGPD enfatiza a import\u00e2ncia do consentimento informado do paciente para o tratamento de seus dados pessoais, bem como a necessidade de garantir medidas adequadas de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o contra acesso n\u00e3o autorizado. Al\u00e9m disso, a lei confere ao paciente o direito de acessar seus dados, retific\u00e1-los e at\u00e9 mesmo solicitar a exclus\u00e3o, desde que n\u00e3o haja obriga\u00e7\u00f5es legais que justifiquem a reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora fique arquivado sob a guarda de institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, o prontu\u00e1rio m\u00e9dico re\u00fane dados que pertencem ao paciente.<\/p>\n<p>Por isso, suas informa\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ser divulgadas, repassadas ou compartilhadas se houver autoriza\u00e7\u00e3o expressa dele, seu respons\u00e1vel ou por dever legal, sejam eles de papel ou em formato eletr\u00f4nico, o paciente ou seu respons\u00e1vel t\u00eam direito aos originais ou c\u00f3pias, tanto de uma parte espec\u00edfica quanto do documento completo, respeitando as determina\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<p>Antes de 2007, diferentes legisla\u00e7\u00f5es traziam a previs\u00e3o de prazos distintos para a guarda do prontu\u00e1rio. O ECA, por exemplo, exigia que os registros fossem mantidos por 18 anos, enquanto a Resolu\u00e7\u00e3o CFM 1.331\/89 mencionava o prazo de 10 anos, mas com o advento da microfilmagem, regulamentada pelo Decreto 64.398\/69, e, mais tarde, com o avan\u00e7o dos documentos digitalizados, esse cen\u00e1rio mudou.<\/p>\n<p>A partir da publica\u00e7\u00e3o da a Resolu\u00e7\u00e3o CFM 1.821\/07, ficou estabelecido que os prontu\u00e1rios m\u00e9dicos devem ser armazenados pelo per\u00edodo m\u00ednimo de 20 anos.<\/p>\n<p>Portanto, fica claro para m\u00e9dicos e advogados que os prontu\u00e1rios m\u00e9dicos devem ser tratados de acordo com as regulamenta\u00e7\u00f5es do CFM, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira e a LGPD, garantindo a prote\u00e7\u00e3o adequada dos dados pessoais dos pacientes, o respeito \u00e0 sua privacidade e a conformidade com todas as normas \u00e9ticas e legais. O n\u00e3o cumprimento dessas regulamenta\u00e7\u00f5es pode resultar em implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, legais e de privacidade dos pacientes, destacando a import\u00e2ncia de uma abordagem cuidadosa no tratamento e na prote\u00e7\u00e3o dos dados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Como advogado, \u00e9 fundamental que saibamos orientar profissionais de sa\u00fade e institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas sobre essas responsabilidades e obriga\u00e7\u00f5es legais e o paciente seus direitos com rela\u00e7\u00e3o ao seu prontu\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na pr\u00e1tica da medicina e no Direito m\u00e9dico nos deparamos com a exist\u00eancia de v\u00e1rios tipos de documentos m\u00e9dicos importantes, cada um servindo a um prop\u00f3sito espec\u00edfico e com relev\u00e2ncia legal na pr\u00e1tica m\u00e9dica. 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